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Poder e Prazer: o perfil das novas mulheres dominadoras

  • Imprensa

Uma recente enquete promovida pelo Sexlog, maior rede social adulta da América Latina, mostrou que mais da metade dos brasileiros têm curiosidade ou prazer em estar no comando durante o sexo. De acordo a pesquisa realizada com 5,5 mil participantes, 43,9% afirmam adorar dominar e 14,9% têm vontade de experimentar esse papel. Entre as mulheres, o interesse vai além do fetiche: ele representa um novo tipo de liberdade sexual, onde o controle se transforma em autoconfiança, desejo e descoberta. A figura da dominadora deixa de ser caricata para ganhar forma real: mulheres comuns que, entre quatro paredes, exploram o poder do próprio prazer.

A pesquisa revela que as mulheres dominadoras não são necessariamente quem o estereótipo pinta. Muitas se descrevem como discretas no dia a dia, mas intensas entre quatro paredes. “No trabalho sou tranquila, no sexo viro outra pessoa”, diz uma das frases com que 23% das respondentes se identificaram. Para a maioria, o fetiche não é sobre agressividade, e sim sobre controle emocional, confiança e troca: um jogo de poder consensual e excitante.

Quem comanda o jogo

Entre as entrevistadas, 53,6% afirmam que o maior prazer está em ver o outro sob comando, enquanto 33,1% gostam de explorar limites e fantasias. O perfil predominante é de mulheres entre 35 e 44 anos, faixa etária que demonstra maior equilíbrio entre autoconhecimento e ousadia. Já entre os mais jovens, de 25 a 34 anos, predomina a curiosidade e a vontade de descobrir novas formas de prazer sem culpa. 

Para a sexóloga Bárbara Bastos, esse movimento está diretamente ligado à forma como as mulheres têm se reconectado com o próprio desejo. “Por muito tempo fomos ensinadas a sermos passivas, a agradar, a esperar. Quando uma mulher se permite comandar, ela não está apenas invertendo papéis: está se libertando de condicionamentos antigos. A dominação pode ser uma forma de afirmar autonomia, segurança e autoconhecimento, e, claro, de brincar com as possibilidades eróticas que esse poder desperta”, diz.

O palco e o poder

Fora da cama, muitas dessas mulheres levam uma vida comum. São mães, profissionais, estudantes. Mas, entre quatro paredes, transformam-se. Bárbara explica essa dualidade: “O espaço sexual permite que a gente acesse partes de nós que, no cotidiano, ficam reprimidas. A mulher tímida pode ver na dominação uma forma de viver sua potência e sua voz. O quarto vira um palco onde o inconsciente brinca e o que é reprimido encontra uma forma segura de se manifestar.”

Essa “outra versão de si” é exatamente o que move Goddess Lohan, dominadora profissional que há anos se apresenta em eventos fetichistas e conduz submissos com uma mistura de elegância, disciplina e sedução. “Sempre gostei do jogo. A dominação psicológica sempre me excitou. É uma dança entre controle e entrega. Não se trata de ser autoritária o tempo todo, mas de entender como o poder pode ser erótico quando há consentimento e confiança”, conta.

Entre o salto e o chicote

Para Lohan, ser dominadora vai além da estética de couro e algemas. “Ser dominadora não é sair mandando em todo mundo ou vestir roupas fetichistas 24 horas por dia. É uma questão de postura e erotização da persona. Ser bem cuidada, confiante e educada já faz parte do jogo. A dominação é, antes de tudo, uma energia”, reflete.

Nos eventos que participa, a dominadora define regras específicas para seus submissos: “Andar atrás, segurar a bolsa, pedir autorização para falar. Tudo é negociado antes, com respeito e segurança. A confiança é a base da entrega.” Ela também destaca que há espaço para todos os níveis de curiosidade: “Nem tudo precisa envolver dor ou acessórios. Dominar é sobre explorar novas formas de prazer. Permita-se.”

Desejo com limites

O fetiche, embora popular, ainda é alvo de estigmas. 20% dos entrevistados associam o tema à agressividade, e 16% dizem que o preconceito vem da ideia de que mulheres no comando seriam “dominadoras demais” até fora do sexo.

Mas, como explica Bárbara Bastos, a diferença entre prazer e abuso está justamente na consciência. “A grande diferença está no consentimento. Dentro do sexo, o controle é um jogo combinado, em que as partes confiam uma na outra. Fora dali, o controle real é desequilíbrio. No sexo, a dominação é desejo, não posse”.

A especialista ainda lembra que o diálogo é o primeiro passo para viver o fetiche sem medo. “A culpa aparece quando associamos prazer à transgressão. Mas o desejo é apenas uma linguagem do corpo e da mente. Quando há conversa, limites e respeito, o fetiche deixa de ser tabu e passa a ser libertação.”

O comando como forma de liberdade

A pesquisa também mostrou que 27,8% das pessoas dizem que a dominação “depende da situação”, um indicativo de que o fetiche é cada vez mais fluido e contextual. Nos grandes centros urbanos, especialmente São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, há o maior número de adeptos o que pode ser reflexo da presença de clubes e eventos dedicados ao BDSM e à cultura fetichista.

Goddess Lohan acredita que o interesse crescente reflete uma mudança social. “Estamos em uma era de curiosidade e conexão. As mulheres não querem mais apenas agradar, mas viver seus desejos de forma plena. E, no fundo, dominar é uma forma de se conhecer e de fazer o outro se conhecer também.”

Entre o prazer e o poder

O universo das dominadoras revela que o sexo pode ser um espaço de transformação.  A mulher que, no dia a dia, é discreta, se descobre poderosa quando se vê no papel de quem conduz. E, ao contrário do que muitos pensam, a dominação não é sobre agressão: é sobre confiança, entrega e equilíbrio.

Como diz Goddess Lohan, encerrando com a confiança de quem sabe o poder que tem: “Estar no controle é muito prazeroso. Ver homens e mulheres se submetendo aos meus desejos, criar a atmosfera do desejo… Sou a Deusa que você quer  e nunca vai ter.”

Sobre o Sexlog
Com mais de 23 milhões de usuários, o Sexlog é a maior rede social de sexo e swing da América Latina. A plataforma oferece um ambiente seguro para quem deseja explorar a sexualidade com liberdade, respeito e muito prazer.