Eu tava morrendo de nervoso quando ela me contou que o cara tinha medo de eu aparecer por causa daquela merda que rolou há dois anos. Ela jurou que não, que ele só tava levando um amigo pro aeroporto cedo, porque o amigo voltava pra Los Angeles e estava hospedado na casa dele. Era verdade e tudo, mas eu sabia que o tesão dele tava falando mais alto, igual ao meu. Porra, é foda como o desejo toma conta e faz a gente ignorar as regras.
Ela disse que eu não precisava mandar Uber, então entramos no meu carro e saímos. O cara estava num bar em Santo André, esperando ela, e ficava mandando mensagens perguntando qual era o carro do Uber. Faltando uns sete quilômetros, eu não podia deixar ela descer na porta, senão ele ia desconfiar. Aí, eu falei: “Coloca o celular no modo avião por três minutos e não responde nada”. Parei o carro, chamei um Uber pra ela e, quando chegou, ela entrou. Depois, tirou do avião, fingiu que o sinal tinha caído e respondeu que estava no carro tal, dizendo que chegaria em cinco minutos. Eu ficaria na rua, de olho em tudo.
Antes de ir, ela me deu um beijo e disse: “Se sair do controle, eu te aviso”. Meu coração tava uma pilha de ciúmes e tesão misturados, tipo uma porra de um furacão dentro do peito. Segui o plano: parei o carro e comecei a andar pela rua, que estava lotada de bares. Logo avistei ela – minha loira gostosa, com uma saia preta curtinha que mal cobria a bunda, cabelos longos balançando – sentada numa cadeira, de lado, numa posição diagonal pra ele. Ele estava meio de frente, mas nem uma mão se arriscava a tocar na dela. Eu fiquei do outro lado da calçada, o coração disparado, observando como um louco por uns vinte minutos. Eles só conversavam, sem beijos, sem carícias, nada. Aquilo me deixava louco de adrenalina.
Precisei de uma bebida pra aguentar, então fui a outro bar, a uns cem metros dali, pedi uma dose de Double Black com Red Bull. O segurança não deixou eu sair com o copo, porra, e eu pensei: “Se eles saírem, tô fudido”. Bebi ali mesmo, troquei por um copo plástico e voltei correndo pro meu ponto de observação. Graças a Deus, eles ainda estavam lá, só bebendo e tagarelando. Eu fiquei ali, tomando meu drinque, insatisfeito e ousado. Queria que ela soubesse que eu tava por perto, mas não podia mandar mensagem.
Aí, resolvi entrar no bar deles pra pegar outra bebida, só pra ver se ela me via. Entrei devagar, mas nem ela nem ele perceberam. Continuei na calçada, de olho, até que vi os dois se levantarem e saírem de mãos dadas. Puta merda, e agora? Se entrassem no carro dele, eu tinha que correr pro meu e seguir. Ela tinha me passado a localização em tempo real no WhatsApp, mas eu não queria perder nada. Eles atravessaram a rua, vindo na minha direção, e eu virei as costas rapidinho pra não ser visto. Quando olhei de novo, estavam parando na porta de um prédio bem em frente ao bar.
Caralho, fudeu de vez. Não tinha volta. Corri pro carro, entrei e comecei a mandar mensagens sem parar, mas nada de resposta. Foram os cinco minutos mais longos da minha vida, com minha mente cheia de imagens: a saia dela subindo, as mãos dele naquelas coxas macias, o cheiro da buceta dela molhada de tesão. Finalmente, o celular tocou – era uma ligação de vídeo. Ela atendeu: “Oi, amor! Vim ver o cachorrinho dele… é lindo, um Bulldog Francês”. Mas eu via o fundo desfocado, o quarto escuro, e imaginava o que mais ela tava escondendo ali, com o cara provavelmente logo atrás, pronto pra enfiar a rola nela. Meu pau endureceu só de pensar na loira safada gemendo enquanto eu assistia de longe, o ciúmes virando um combustível pra mais tesão. Porra, aquilo ia ser bom.